O que a season 4 de Orange Is The New Black trouxe – e o que podemos esperar da próxima temporada

Não há dúvidas que Orange is the new Black é a produção original de maior sucesso da Netflix, inclusive responsável por angariar novos assinantes para a plataforma quando foi lançada, em 2013. A quarta temporada da série foi disponibilizada ao público no dia 17 de junho e felizmente trouxe novidades e avanços na trama, ao contrário da esquecível temporada anterior.

(A partir deste momento, esse texto contém spoilers da terceira e quarta temporada da série)

A história parte do final do último ano. As detentas continuam seu momento de liberdade no lago próximo à prisão, enquanto a privatização de Lichtfield promove mais mudanças, dessa vez com novas mulheres, provocando uma superlotação no local. Por consequência, as divergências étnicas entre as presas aumenta, fazendo com que elas se aproximem mais de suas semelhantes, e como cada um desses grupos ou famílias possuem interesses únicos, a eclosão de uma rebelião se torna iminente.

 

Em sua quarta temporada, é possível questionar se Piper ainda é a protagonista do seriado. Em grupos de redes sociais, a personagem divide opiniões, e o fato é que seus dramas pessoais não têm a mesma relevância de outrora. Pessoalmente, eu acredito que a personagem de Taylor Schiling é carismática, contudo, não o suficiente se observada da perspectiva de estar dentre tantas mulheres de origens diversas, cujas condições de vida limitadas, as levaram a cometer atos imprudentes que as levaram à prisão. Enfim, o fim da vibe gangster e a reaproximação com Alex (Laura Prepon) a partir da metade da temporada melhoraram o enredo de Piper.

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Assim como em anos anteriores, Orange recorre aos flashbacks para quebrar os planos dentro de Litchfield e retratar a personalidade das prisioneiras. Na quarta temporada, o destaque está na história de algumas latinas quando livres, como Blanca, Maritza e Maria Ruiz, que com a pena aumentada, decide desenvolver uma rede de tráfico de drogas no local. Outra persona que volta a ganhar destaque é Nicky voltando da segurança máxima e retornando ao seu vício em heroína após três anos de luta.

Como principais novas temáticas, a trama aborda assuntos como o aumento da segregação racial e as consequências de uma administração privada que visa apenas o lucro. Um grupo de presas com ideias simpatizantes ao nazismo e a supremacia branca passam a ter voz e questionar “regalias” para as latinas e negras. No ramo administrativo, Caputo assume o cargo de diretor prisional e para solucionar o problema na segurança, aceita substituir antigos guardas por veteranos de guerra, e as novas posturas de vigilância geram uma relação de ódio entre funcionários e detentas.

Um exemplo de como a situação piorou é a nomeação de Piscatella, proveniente de uma penitenciária de segurança masculina, como novo chefe dos guardas. Não demonstra nenhuma empatia pelas mulheres presas e as relega a um papel de sub-humanidade. As ações de outros seguranças remetem à tortura e sadismo, causando maior temor nas condenadas. Em meio disso, a prisão tenta passar uma imagem positiva à imprensa por conta da presença de Judy King, uma celebridade culinária, detida por curto tempo após fraudes no imposto de renda e que desfruta de regalias em Litchfield.

Todo esse contexto repleto de injustiça resulta em posturas de resistência, iniciada por Blanca, quase uma figurante nos outros anos, que ganhou bastante relevância no contexto conturbado. E me desculpem, preciso citar um  spoiler do penúltimo episódio da temporada, pois a cena realmente me emocionou. As lideranças grupais se unem contra um inimigo em comum e de maneira até espontânea, protestam pacificamente no refeitório contra as péssimas condições. Um ato que infelizmente acaba em tragédia. (Fim de spoiler)

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O quarto ano de Orange Is The New Black manteve pontos positivos já vistos na série e a premissa de abordar as condições arbitrárias em uma prisão feminina trouxe mais verossimilhança com a realidade. Existem enredos arrastados  é claro, mas as mudanças de perspectiva mostram que as atitudes tomadas são coerentes com as personagens. Com a série renovada por mais temporadas, fica o questionamento dos assuntos que podem ser abordados nos próximos episódios. Ainda mais com o gancho incrível deixado pela season finale. Difícil é aguentar a curiosidade e esperar um ano para saber os desfechos dessa temporada, e assistir tudo em quatro dias não colabora em nada. Como disse Inês Brasil hahaha no vídeo promocional do ano atual “a Netflix deveria liberar logo umas cinquenta temporadas para deixar seus espectadores felizes e confortáveis.” Eu concordo, quem mais? 😛 🙂

Ficha Técnica:

Orange Is The New Black – Netflix

Produção: Lionsgate

Criadora: Jenji Kohan

Gênero: Comédia, Drama

Elenco: Taylor Schling, Laura Prepon, Kate Mulgrew, Michael Hearney, Natasha Lyonne, Uzo Aduba, Danielle Brooks, Nick Sandow, Laverne Cox, Selenis Leyva, Taryn Manning, Samira Wiley, Yael Stone, Dascha Polanco, Lea DeLaria.

Mateus Pereira
23 anos. Jovem jornalista tímido, leitor e acumulador compulsivo, que gosta de levar livros na maioria das suas andanças, nem que for para fazer peso na mochila.

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